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15 julho 2012

O sábio e o alarife I Hermes Machado

O sábio e o alarife I Recanto das Letras

 

O sábio concebe conceitos
Seguidor é aquele que aceita
Entre sábio e seguidor
Afigura-se o alarife
É ele quem contribui
Com a disseminação de produtos
Concebidos a partir de conspirata 
E produzidos para absorve-lo

Materialistas ou espiritualistas, catedráticos de liceus
Manufaturadores do desejo
Impregnados de simbolismos, seitas e doutrinas
Sábios e alarifes abduzem  por afetação
Portanto se tu seguidor ambicionas ser livre
Nem tanto ao inferno, nem tanto ao céu
Beba teu vinho Dionízio
Mas saibas quando deves parar
Atente para dois adversários
Que virão te anarquizar
Liberdade e segurança
Nunca estão de mãos dadas
                                                        Que seja tua vontade a tua divindade
                                                             Que proclama a insubmissão
                                                   Contudo onde puderes evoque tua proteção
                                                 Para o falo ou para as hermas, Hermes te guiará

Hermes Machado é escritor paulistano que vive na Baixada Santista. Antes de iniciar a carreira literária atuou como guia para congressos nos Estados Unidos, foi executivo de empresas e gestor de negócio próprio. É autor do romance Vitória na XXV, possui contos e crônicas em sites e jornais impressos no Brasil e exterior.

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20 dezembro 2011

Virada... Um dia para se esquecer | Hermes Machado

Virada... Um dia para se esquecer l No Mundo e Nos Livros

Meia noite. Ouço estampidos. Vejo fugas de seres desesperados em estado de choque sob fachos de luzes que povoam o céu noturno. Agoniados, buscam abrigo debaixo de carros ou para os fundos das casas. Seus corações palpitam prestes a saírem pelas bocas. Olho para cima e, mais uma vez, vejo desalento. Outros, irracionais; desta vez, os alados em vôos desvairados fogem para a serra num ato não menos trágico em busca de quem sabe, livrar-se do inferno criado racionalmente pelo homem para deleite dos próprios homens com o intento de brindarem a virada. A virada? A virada do que?
De repente, em meio à multidão que aflui de todos os cantos, almejando o melhor lugar ao redor das toneladas de pólvoras fincadas sob a areia observo e ouço gritos, soluços de recém-nascidos, crianças de colo e uivos insanos de pequeninos cães caprichosamente acompanhados de seus pais e pseudomadames respectivamente.

Meia noite. Ouço estampidos. Vejo fugas de seres desesperados em estado de choque sob fachos de luzes que povoam o céu noturno. Agoniados, buscam abrigo debaixo de carros ou para os fundos das casas. Seus corações palpitam prestes a saírem pelas bocas. Olho para cima e, mais uma vez, vejo desalento. Outros, irracionais; desta vez, os alados em vôos desvairados fogem para a serra num ato não menos trágico em busca de quem sabe, livrar-se do inferno criado racionalmente pelo homem para deleite dos próprios homens com o intento de brindarem a virada.
Qual homem, em sã consciência levaria sua prole ou seu animal de estimação para um evento cujo espetáculo principal é a queima de toneladas de bombas em meio ao ensurdecedor barulho?
O evento se dá. Uma hora após a passagem de sei lá o que, centenas, talvez milhares de garrafas espalhadas sobre o solo das calçadas, gramados, orla da praia; muitas, espatifadas espalhando cacos por todo o lado, apenas para satisfazer os mentecaptos do som que estas produzem quando estouram pelo chão.


Hermes Machado é escritor paulistano que vive na Baixada Santista. Antes de iniciar a carreira literária atuou como guia para congressos nos Estados Unidos, foi executivo de empresas e gestor de negócio proprio. É autor do romance Vitória na XXV, possui contos e crônicas em sites e jornais impressos no Brasil e exterior.

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