Mostrando postagens com marcador desordem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desordem. Mostrar todas as postagens

06 abril 2016

Ordem e Progresso ou Desordem e Retrocesso / Hermes Machado

                                                                              I
A Democracia não se mantém de pé
Se a Constituição Federal não é respeitada
E o poder de voto não é legitimado. 
O voto antes de ser um direito
É uma responsabilidade na proporção de uma nação.
II
Votar significa assumir todos os erros
 E acertos de seus mandatários.
Se enquanto cidadão, seu arrependimento
Se transforma em desordem e retrocesso,
Então, o estabelecimento da disciplina pelo uso da força
É o caminho para a ordem e progresso.


Hermes Machado é escritor paulistano que vive na Baixada Santista. Antes de iniciar a carreira literária atuou como guia para congressos nos Estados Unidos, foi executivo de empresas e gestor de negócio próprio. É autor do romance Vitória na XXV, possui contos e crônicas em sites e jornais impressos no Brasil e exterior.




***

20 dezembro 2012

21-12-2012 - Fim do Mundo I Hermes Machado

                                         21-12-2012 - Fim do Mundo  I Recanto das Letras

Há quem acredite no fim do mundo
Há quem desdenhe de um fim trágico para a humanidade
Há quem faça festa e se divirta com o fim de um calendário

Assim é o homem, demasiado humano
Faz da preciosa vida uma ficção
E aquilo que não passa de imaginação, decreta fato

Quem te disse que não virá o fim do mundo?
Esse, que você conhece, acaba aqui,
Com a expiração do calendário Maia

21-12-2012, marca tempos difíceis
Que se avizinham como nunca antes
Houvera entre os homens

Quem muito tem se prepare
O fim dos tempos de mordomias bate à porta

Pois a palavra de ordem é compartilhar
A fome, a sede, e a falta de teto
Causará desordens em toda terra

O fraco que é maioria se unirá
Não aceitará limites, cercas ou muros
Essa tábua de lei que você segue, ruirá

Aqueles que tiram proveitos dos incautos e incultos
Preparem-se demagogos; novos rolos se configuram
O fim dos tempos de mordomias bate à porta

Um mundo de racionamento sem igual na história humana
Se dará para além do controle dos homens

Castelos ruirão como que firmados sobre areia movediça
Trombas d'aguas volumosas descerão do céu
Trazendo o caos para cidades até então, seguras

A natureza vingará os maus tratos concebidos pelo homem
A desordem se abaterá sobre populações em desespero
O pão será escasso e poucos terão batatas à mesa para ceia

Muitos estarão impedidos ao trabalho
Por conta dos imprevistos naturais de Húracan
Perderão dias,  até semanas sem ter com o que se ocupar

Não produzirão, portanto, não farão jus ao soldo necessário
Para alimentarem-se, vestirem-se,  ou mesmo pagarem suas contas

Tempos difíceis se avizinham
Como nunca antes houvera entre os homens
O fim dos tempos de mordomias bate à porta

Hermes Machado é escritor paulistano que vive na Baixada Santista. Antes de iniciar a carreira literária atuou como guia para congressos nos Estados Unidos, foi executivo de empresas e gestor de negócio próprio. É autor do romance Vitória na XXV, possui contos e crônicas em sites e jornais impressos no Brasil e exterior.

***






19 julho 2012

Escola Pública Martírio dos Mestres I Hermes Machado

Escola Pública Martírio dos Mestres I No Mundo e Nos Livros

A campainha anunciando a entrada dos alunos da escola pública Martírio dos Mestres, toca. Em tropa, a 8ª. Cavalaria do regimento de infantes avança desenfreada em gargalo, porta adentro da sala que lhe fora destacada. Ainda no funil, passadas maliciosas de mãos, puxões de cabelos, safanões, tapas, e chutes são desferidos em meio ao torvelinho. Ao ocuparem a sala de aula a bandeira da permissividade é desfraldada por alguns que sem noção de direito e civilidade comprometem o desejo daqueles que se esmeram em busca das qualificações mínimas e necessárias para se relacionarem em grupo.

Entre os ordinários um deles se destaca: Marcelo Tornado, um jovem rapaz intragável que usa da avantajada compleição física e personalidade atroz para impor seus desejos nocivos sobre aqueles que ele escolhe a dedo para serem suas vítimas do que hoje costumeiramente chamam de bullying. Entre as vítimas desta vez, pasmem, não está este ou aquele aluno cujo perfil denota comportamento exemplar ou comprometimento com os estudos. A “bola da vez” é o professor. Ante a confusão generalizada na classe Célia Mormaço encoraja-se: – Bom dia! – enquanto poucos lhe dão boas vindas, a maioria dentre os demais a ignora. O dia é realmente abafado. O sol irradia a luz por entre os vidros das janelas que compõe aquele espaço destinado a educação. De súbito, Cida Vendaval levanta-se da carteira onde está posicionada e dirige-se ao interruptor que faz funcionar o ventilador contendo três pás em forma de hélices. Aciona-o. Enquanto isso, Mormaço tenta conter a balbúrdia. Neste mesmo instante, aproveitando-se da distração da já apoquentada instrutora de língua portuguesa, Tornado arremessa um estojo de acrílico contra o aparelho de ventilar que gira na velocidade máxima.


Os tempos mudaram, os dispositivos legais é que não parecem acompanhar o ritmo tendencioso da desordem.

Ouve-se um estampido. Estilhaços do que era um estojo de lápis, apontador, borracha e canetas se espalham por todos os lados do reduto. Para sorte dos alunos, apesar do susto, ninguém se fere. Ao ver a cena que se segue com gritos e xingamentos da parte de alguns alunos contra o vândalo, Mormaço não querendo atrair para si a animosidade de Marcelo Tornado põe “panos quentes”, afinal é de seu feitio e ela sabe que não se deve correr riscos com um aluno mentecapto. Os tempos mudaram, os dispositivos legais é que não parecem acompanhar o ritmo tendencioso da desordem. Assim, alinhando-se ao sistema, Célia Mormaço, desorientada como quem pede uma trégua, ergue em punhos o estandarte da conivência. A aula enfim, aos solavancos começa. Ela sobrescreve a matéria no veterano quadro negro que é previamente dividido em três partes com riscado de giz. Empunhando o bastonete de greda como arma para conter a bagunça na sala, Mormaço dispara a escrever compulsivamente preenchendo em poucos minutos as três páginas da lousa, que são apagadas e reescritas sucessivamente por intermináveis cinqüenta minutos até que sua obrigação naquela classe se dê por encerrada.

Dever cumprido recolhe a caixa de giz, a caneta vermelha, o material didático e com o calor humano que lhe é peculiar, leva-os ao peito, abraçando-os carinhosamente. Quando se prepara para sair, já na porta é surpreendida por Marcelo Tornado. Enquanto ele a distrai com desculpas, Marco Carrasco, seu comparsa nas sabotagens aproxima-se detrás da professora com um isqueiro e acionando-o, ateia fogo no cabelo dela. – Que fumaça é essa saindo da senhora? – Cínico, Tornado questiona-a com sinal de espanto. Tomada pelo desespero Célia Mormaço grita sentindo o ardor das chamuscas em sua cabeça no tempo em que Cida Vendaval a largos sopros tenta extinguir já, as brasas. A diretora, a coordenadora, a merendeira, o inspetor, os professores e alunos, todos que partilham do suposto auspicioso lar da educação, tomam conhecimento do caso. Resultado: Célia Mormaço é transferida de escola, pois a direção entendeu que não era seguro para ela continuar naquele local. Após o episódio, a reputação de Mormaço perante os que presenciaram o incidente era de total escárnio naquela contemplada entidade do saber, Escola Pública Martírio dos Mestres.

Hermes Machado é escritor paulistano que vive na Baixada Santista. Antes de iniciar a carreira literária atuou como guia para congressos nos Estados Unidos, foi executivo de empresas e gestor de negócio próprio. É autor do romance Vitória na XXV, possui contos e crônicas em sites e jornais impressos no Brasil e exterior.

***